Este artigo complementa o post Bactérias Nitrificantes.
As bactérias nitrificantes são sensíveis. Temperatura, pH, oxigênio e até a luz mudam a velocidade com que elas trabalham. Aqui, reunimos os dados biológicos que afetam a nitrificação e ajudam a manter essas bactérias, e o seu lago, saudáveis.
Existem várias espécies e cepas de Nitrosomonas e Nitrobacter. A maior parte destes dados vale para todas. Ainda assim, cada cepa pode ter tolerâncias próprias. Os valores abaixo se referem às cepas cultivadas pela Fritz Industries.
Temperatura e nitrificação
- 25 a 30 °C: crescimento ideal.
- 18 °C: o crescimento cai pela metade.
- 7 a 10 °C: o crescimento cai 75%.
- 4 °C: a atividade para.
- 0 °C ou 49 °C: as bactérias morrem.
A Nitrobacter tolera menos o frio do que a Nitrosomonas. Por isso, em lagos de água fria, fique de olho no nitrito.
pH
- Nitrosomonas: pH ideal entre 7,8 e 8,0.
- Nitrobacter: pH ideal entre 7,3 e 7,5.
Com pH alto, como em aquários marinhos ou de ciclídeos africanos, a Nitrobacter cresce mais devagar. Por isso, no início, o nitrito pode subir.
Com pH abaixo de 7,0, é a vez da Nitrosomonas desacelerar, e a amônia pode subir. Em pH 6,5, o crescimento dela é inibido. Em pH 6,0 ou menos, toda a nitrificação para.
Por isso, se o pH começar a cair para perto de 6,5, monitore a amônia. A boa notícia é que, nesse pH, a amônia fica quase toda na forma ionizada (NH4+), bem menos tóxica.
Oxigênio dissolvido e nitrificação
A nitrificação atinge o máximo quando o oxigênio dissolvido passa de 80% da saturação. Por outro lado, ela para se o oxigênio cair para 2 mg/L ou menos.
A Nitrobacter sofre mais com pouco oxigênio do que a Nitrosomonas.
Micronutrientes
Toda bactéria precisa de micronutrientes. O mais importante é o fósforo, usado para produzir ATP, a molécula que fornece energia à célula. As bactérias obtêm o fósforo na forma de fosfato (PO4).
A Nitrobacter, em especial, não consegue transformar nitrito em nitrato sem fosfato.
Bloqueio de fosfato
Em geral, a água da torneira tem fosfato suficiente. Em certas épocas do ano, porém, ele pode faltar. É o chamado bloqueio de fosfato.
Como saber? Se todos os parâmetros estão bons e mesmo assim o nitrito sobe sem gerar nitrato, pode ser falta de fosfato. Esse problema ficou comum em aquários marinhos, com o uso de sais sintéticos sem fosfato.
A solução é simples: adicionar uma fonte de fosfato. O ácido fosfórico é o mais fácil de dosar. Também é possível usar fosfato monossódico ou dissódico.
Água muito pura
Outros micronutrientes também costumam vir na água da torneira. No entanto, a água de deionizadores, destiladores e osmose reversa não tem esses nutrientes. Ela é excelente em pureza, mas atrapalha as bactérias.
Por isso, quem usa essa água precisa repor os sais necessários. E atenção: muitos desses sais não trazem os micronutrientes de que as bactérias precisam.
Fonte de energia
As Nitrosomonas usam a amônia (NH3) como fonte de energia e a transformam em nitrito (NO2). Elas também conseguem usar compostos simples de amina, inclusive os formados por produtos removedores de amônia. Algumas cepas usam até ureia.
Já as Nitrobacter usam o nitrito como fonte de energia e o transformam em nitrato (NO3).
Curiosidade: as colônias de Nitrosomonas são avermelhadas, e as de Nitrobacter, acastanhadas.
Luz
As bactérias nitrificantes são sensíveis à luz, principalmente ultravioleta e azul. Depois de se fixarem numa superfície, a luz deixa de ser problema.
Nos primeiros 3 ou 4 dias, porém, muitas células ainda estão soltas na água. Nesse período, deixe desligadas as lâmpadas especiais de recife, que emitem UV ou luz próxima a ela. Lâmpadas comuns de aquário não fazem mal.
Cloro e cloraminas
Antes de colocar bactérias ou peixes, neutralize todo o cloro da água. Afinal, restos de cloro ou de cloramina matam as bactérias e os peixes.
Muitas companhias de água usam cloraminas, que são mais estáveis que o cloro. Para saber se é o seu caso, teste o cloro com um kit. Depois de neutralizá-lo, teste a amônia. Se aparecer amônia, a água tinha cloramina. Você também pode perguntar à companhia de água da sua cidade.
As cloraminas são formadas quando se adiciona amônia à água clorada. Em geral, aparecem como monocloramina (NH2Cl) ou dicloramina (NHCl2). Removedores de cloro, como o tiossulfato de sódio (Na2S2O3), quebram essa ligação e transformam o cloro em cloreto (Cl-), que é inofensivo.
Atenção a dois pontos:
- A dicloramina tem dois átomos de cloro. Por isso, use dose dupla de removedor.
- Cada molécula de cloramina neutralizada libera uma de amônia. Ou seja, 2 mg/L de cloramina viram 2 mg/L de amônia.
Nos meses quentes, o cloro pode passar de 2 mg/L. Nesse caso, também vale a dose dupla.
Antibióticos, pesticidas e herbicidas
Lagos e aquários são sistemas vivos. Por isso, evite produtos com antibióticos, pesticidas ou herbicidas.
Se as bactérias morrem, os resíduos dos peixes não são processados e chegam a níveis tóxicos. Isso quando o próprio produto não mata os peixes. Mantenha as bactérias saudáveis, e o lago todo fica saudável.
Área de superfície
Em muitos sistemas, cascalho ou argila expandida servem para filtrar os sólidos e abrigar as bactérias. A área de superfície disponível limita quantos peixes o filtro consegue atender.
Um metro quadrado de superfície colonizada converte de 0,2 a 0,9 g de amônia por dia, desde que circule água suficiente. O valor de 0,2 g é o mais realista. Para comparar, segundo o SRAC (Southern Regional Aquaculture Center), 45 kg de tilápia produzem cerca de 10 g de amônia por dia.
O cascalho tem de 200 a 300 m² de superfície por metro cúbico. Assim, 1 m³ de cascalho oferece cerca de 200 m², o suficiente para processar uns 40 g de amônia por dia.
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